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sábado 18 julho 2026

Djavan lança 20º álbum: marco na carreira do artista!

Uma inclinação de Djavan em direção ao jazz? Essa é uma das questões levantadas pelo vigésimo sexto álbum de sua trajetória, intitulado “Improviso” e lançado três anos após “D”. A palavra improviso, no contexto musical, remete ao jazz e à liberdade artística inerente ao gênero.

Entretanto, poucos compositores desfrutam de tanta liberdade criativa quanto Djavan. Ao longo de sua carreira, iniciada há quase meio século, ele nunca se limitou ao jazz, pop, MPB tradicional ou samba; nem mesmo aos “blues de Djavan”, conforme sugerido por Caetano Veloso em “Eclipse Oculto”. Djavan faz, simplesmente, música de Djavan.

Raríssimos artistas exibem um DNA musical tão singular quanto o dele. Trata-se de um som fluido, inclassificável e sedutor, manifestado em canções que permanecem na memória e letras que formam um discurso ímpar, capaz de causar estranhamento antes de um inevitável encantamento.

Djavan, além do reconhecimento popular, angaria elogios dos maiores expoentes da música, tanto no Brasil quanto no exterior. Nomes de peso como Burt Bacharach e Quincy Jones já manifestaram sua admiração pelo artista, inclusive, há uma conexão entre Jones e “Improviso”.

A faixa “Pra Sempre” proporciona deleite aos apreciadores da boa música pop brasileira, mesmo que desconheçam a sua origem: um pedido do lendário produtor. Jones desejava uma canção de Djavan para Michael Jackson interpretar no álbum “Bad”, de 1987, uma solicitação de peso, considerando o status de astro pop de Jacko na época!

O envio da música, contudo, foi atrasado pelo artista brasileiro, impedindo a gravação. Quase quarenta anos depois, Djavan enriquece a canção com versos recentes, dedicados a exaltar a voz e os passos de dança do Rei do Pop, o que pode atrair a atenção da mídia, embora seja mais divertido do que essencial.

Em “Falta Ralar”, Djavan realiza uma tentativa bem-sucedida de substituir as intrincadas letras, escritas no conhecido dialeto “djavanês”, pelo suposto vocabulário de uma jovem envolvida com um rapaz complicado.

Enquanto “Pra Sempre” e “Falta Ralar” soam divertidas e brincalhonas, Djavan se mostra arrebatador quando decide, de certa forma, “falar sério”. A faixa de abertura do novo álbum, “Um Affair”, apesar de sua leveza e descontração, demonstra a construção precisa e certeira de um letrista afiado.

“Um affair, do jeitinho que se quer/ Não é pra todo mundo”: esse verso, aparentemente simples e com tom engraçado, revela-se uma pérola pop ao se encaixar na pegada “jazzy” da canção, e o álbum está repleto de outras.

É notável a maneira como Djavan imprime sua marca tanto em faixas com instrumentação mais rarefeita, como em “O Vento”, quanto em canções encorpadas e “cheias”, nas quais os músicos parecem explorar todas as possibilidades sonoras, a exemplo da excelente “O Grande Bem”.

Para os que apreciam o lado sambista de Djavan, considerado por alguns como o mais inovador, o álbum apresenta apenas um samba, “Cetim”, que se revela romântico e envolvente, com versos delicados como “o que é não pensar em você?/ não sei o que é isso, não”.

Ainda que “Improviso” revele letras mais simples em comparação com outras fases da carreira de Djavan, seria um equívoco considerar o álbum como uma obra destinada a atingir um público maior por esse motivo. É provável que não alcance os jovens, atualmente nutridos com música simplória e sem brilho.

Djavan permanece como um compositor singular. A ousadia de sua escrita sempre carregou estranheza e um frescor facilmente reconhecíveis pelo público, e ele também se mostra um inovador no aspecto musical, cuja trama instrumental ainda está distante de ser um produto para as massas.

O que mais surpreende é que as novas ideias soam melodicamente complexas, mas com um apelo pop que encontra pouco espaço no cenário musical atual. Trata-se, certamente, de uma safra recente de canções, pois Djavan já declarou que não guarda material de um disco para outro.

O artista afirma compor um repertório inédito poucos meses antes da gravação de cada álbum, e em “Improviso” é possível perceber um poeta que busca a paixão. Em diversos momentos das doze faixas, vislumbra-se um homem repleto de amor para oferecer.

Uma turnê está prevista para o próximo ano, com apresentações em grandes arenas esportivas, modalidade de show que parece ser a forma escolhida pelos grandes nomes da MPB para acolher fãs de todas as gerações.

Djavan possui um repertório vasto para criar o setlist que desejar em uma apresentação para milhares de pessoas. Seus sucessos, especialmente das décadas de 1980 e 1990, merecem ser contemplados, mas seria interessante reservar um espaço para o Djavan de “Improviso”, com suas canções leves e repletas de romantismo.

Improviso
Onde Disponível: nas plataformas digitais
Autoria: Djavan
Gravadora: Luanda Records/Sony
Avaliação: Ótimo

*THALES DE MENEZES/Folhapress


Fonte: paraibaonline.com.br | Publicado em 2025-11-15 16:30:00


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