Autoridades locais declararam que pode levar dias para que todas as vítimas do incêndio sejam identificadas, sendo que mais de 100 pessoas ficaram feridas, muitas delas em estado crítico.
A primeira vítima do incêndio que resultou na morte de mais de 40 pessoas em um bar na Suíça foi identificada na última sexta-feira (2) como Emanuele Galeppin, um jovem italiano de 16 anos, que residia em Dubai e era golfista.
Os investigadores iniciaram a complexa tarefa de identificar os corpos carbonizados do trágico incidente ocorrido durante uma festa de Ano-Novo na estação de esqui de Crans-Montana. O número de mortes confirmadas já chega a 47.
As queimaduras sofridas por muitos dos jovens que estavam no bar Le Constellation foram tão severas que as autoridades afirmaram que a identificação das vítimas levará tempo. Além disso, mais de 100 pessoas ficaram feridas, muitas em estado grave.
Familiares de jovens desaparecidos fizeram apelos angustiados por informações sobre seus filhos, enquanto embaixadas de outros países se mobilizavam para confirmar se seus cidadãos estavam entre as vítimas dessa que é uma das piores tragédias da história moderna da Suíça. Segundo o Itamaraty, não há brasileiros na lista de vítimas.
“Estou procurando meu filho há 30 horas. A espera é insuportável”, desabafou Laetitia, mãe do jovem Arthur, de 16 anos, ao canal BFM TV. Ela expressou sua angústia em saber se ele está vivo ou morto, e a incerteza sobre seu paradeiro: “Se ele está no hospital, não sei qual. Se está no necrotério, não sei qual. Se meu filho está vivo, ele está sozinho no hospital, e eu não posso ficar ao lado dele.”
As autoridades ressaltaram que a identificação das vítimas e a confirmação do número exato de mortes demandarão tempo, uma vez que muitos corpos estão gravemente queimados. “Todo esse trabalho é necessário porque as informações são tão terríveis e sensíveis que nada pode ser comunicado às famílias sem 100% de certeza”, declarou Mathias Reynard, chefe do governo do cantão de Valais. Especialistas estão utilizando amostras dentárias e de DNA para realizar as identificações, segundo ele.
A causa do incêndio ainda não foi determinada. As autoridades suíças indicam que tudo aponta para se tratar de um acidente e não de um ataque. Relatos de sobreviventes e vídeos nas redes sociais sugerem que o teto do porão do bar pode ter pegado fogo devido a velas de faíscas que se aproximaram demais.
Crans-Montana, um resort frequentado por celebridades e atletas de esportes de inverno, é um local habitual para a Copa do Mundo de Esqui. O ator britânico Roger Moore, famoso por interpretar James Bond, residiu lá, que atualmente conta com 10 mil habitantes.
“Podia ter sido a gente”, comentou Emma, de 18 anos, de Genebra, do lado de fora do bar isolado. “Havia uma fila enorme, então decidimos não entrar na virada do ano. Tivemos tanta sorte. Mesmo vivas e bem, estamos em choque. É um trauma até para nós. Vejo os desaparecidos e são todos da nossa idade.”
De acordo com as autoridades, alguns corpos ainda estavam no bar, e elas se comprometeram a trabalhar incessantemente para identificar todos os que perderam a vida no incêndio.
Elisa Sousa, de 17 anos, revelou que tinha planos de estar no bar no momento do incêndio, mas acabou passando a noite em um encontro familiar. “E, sinceramente, vou ter que agradecer minha mãe cem vezes por não me deixar ir”, afirmou durante a vigília em homenagem às vítimas. “Porque só Deus sabe onde eu estaria agora.”
Itália e França estão entre os países que relataram desaparecidos, e o ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, planeja visitar Crans-Montana na última sexta-feira, conforme afirmou o embaixador italiano na Suíça, Gian Lorenzo Cornado. A Austrália também confirmou que um de seus cidadãos ficou ferido.
Dos 112 feridos, todos, exceto cinco, já foram identificados, informou Cornado. Seis cidadãos italianos continuam desaparecidos, e 13 estão hospitalizados; três foram repatriados na quinta-feira e mais três na sexta-feira.
O incêndio foi relembrado no Brasil pela semelhança com a tragédia da boate Kiss, ocorrida em 2013 em Santa Maria (RS), onde 242 pessoas perderam a vida após o uso de fogos de artifício em uma apresentação que incendiou o teto, cujo material acelerou a propagação do fogo e gerou fumaça tóxica.
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