Com mais de 40 propostas em exame, legisladores apostam no rigor penal e na educação para combater a misoginia
Após participar do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos no Rio de Janeiro, Vitor Hugo de Oliveira Simonin, de 18 anos, apresentou-se na delegacia para prestar depoimento vestindo uma camiseta com a frase “Regret Nothing” (“Não se arrependa de nada”, em tradução livre). O slogan foi popularizado por Andrew Tate, influenciador do movimento “Red Pill”, conhecido por disseminar discursos de ódio contra mulheres e pregar a supervalorização da masculinidade.
O movimento tem ganhado espaço no debate público e foi retratado inclusive em produções recentes, como a série “Adolescência”, lançada pela Netflix no ano passado. Diante dessa visibilidade e do crescimento alarmante do número de feminicídios no Brasil – que atingiu seu ápice histórico em 2025 -, o Legislativo busca preencher lacunas jurídicas para enfrentar o problema.
Com aproximadamente 40 projetos de lei em tramitação (conheça alguns abaixo), as discussões no Congresso visam tipificar a misoginia como crime e coibir a atuação das comunidades “Red Pill”. As propostas divergem em suas abordagens: enquanto algumas concentram-se na punição de coletivos virtuais, outras priorizam medidas preventivas e ações educacionais no ambiente escolar.
O que é Red Pill?
A origem dos coletivos Red Pill remonta a grupos de homens brancos de classes média e alta na década de 1970. Conhecidos como MRA (Men’s Rights Activists ou Ativistas pelos Direitos dos Homens), esses indivíduos iniciaram o movimento questionando políticas públicas voltadas a minorias raciais, sexuais e de gênero.
Com a popularização da internet, essas comunidades se expandiram e ganharam novas ferramentas de articulação. O termo “Red Pill” é inspirado na franquia Matrix – especificamente na cena do primeiro filme em que o personagem Morpheus oferece ao herói, Neo, duas pílulas: a azul, que mantém a ilusão de normalidade, e a vermelha, que revela a realidade nua e crua do mundo.
