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sexta-feira 17 julho 2026

MaisPB • Festa e futebol

No país do samba e do futebol, a gente nem mal sacudiu o amido de milho do corpo após os festejos juninos e já engatou a marcha na Copa do Mundo.

É o legítimo ano do “combo nacional”: festa, futebol e, para completar, o malabarismo das eleições.

E que Copa do Mundo! A maior surpresa veio dos lados da Alemanha, eliminada pelo Paraguai. Quem diria que aquela máquina alemã, a mesma que nos humilhou com os inesquecíveis 7 a 1 no Mineirão, naquele fatídico 8 de julho de 2014, deixando um trauma nacional na nossa busca pelo hexa, cairia logo nas oitavas de final?

Justiça poética ou ironia do destino? O fato é que mal tivemos tempo de rir dos alemães e já caímos na nossa própria realidade. Ganhamos do Japão a duras penas, aquele povo admirável que ganha em campo e ainda limpa a arquibancada, mas acabamos sucumbindo ao pragmatismo dos nórdicos. Muitos memes com o Haaland, e ele veio justificar o que veio fazer em campo! Ah, como Neymar fez falta! Por que misturar futebol com política? Injusto para um jogador de tanto potencial.

Enquanto isso, o mundial segue no modo “montanha-russa”. A Argentina arrancou uma classificação dramática contra o Egito, numa batalha de roer as unhas. A Colômbia caiu nos pênaltis para a Suíça, e os Estados Unidos foram despachados pela Bélgica. As oitavas de final vão se desenrolando e deixando o coração do torcedor na mão.

Mas nem só de futebol vive o homem, e principalmente o nordestino paraibano, que sabe disso melhor do que ninguém. Mal nos despedimos do São João, essa herança europeia que nasceu para celebrar o solstício de verão e pedir fartas colheitas, e que os portugueses, espertamente, adaptaram à fé católica, em honra de Santo Antônio, São João e São Pedro.

No Nordeste, a guerra é santa e anual: Pernambuco e Paraíba duelam para ver quem ostenta o título de “Maior São João do Mundo”. Mas, sendo bem sincera, eu desconfio que ambos perderam a coroa para Bananeiras. A cidade é pequenina, conseguiu a proeza de magnetizar toda a nata paraibana. Para a glória dos deuses do clima, não choveu na abertura. Sorte dos participantes e, principalmente, das madames, que salvaram seus looks, escovas e maquiagens do desastre da chuva, graças ao novo pavilhão coberto.

A cidade estava tão entupida que nem a missa de domingo deu vazão. O padre italiano, percebendo o termômetro do momento, despachou o sermão a jato. Afinal, nunca se viu tanta alma pecadora ou festeira em Bananeiras. Se faltou espaço na igreja, faltou também quitute no prato, porque, na tarde de sexta-feira, as famosas pamonhas de Pirpirituba e as canjicas locais já tinham virado fumaça. Fora das festas, o cenário era um nó tático de carros que impedia o cidadão de pôr a cara para fora do condomínio. Sorte que esse ano não faltaram ovos no supermercado. A cidade estava bem abastecida, só que tudo estava muito inflacionado.

O turbilhão junino passou, o eco da Copa vai diminuindo, mas o paraibano não tem descanso para festas. O brejo já se prepara para o próximo burburinho. O festival “Caminhos do Frio” que se aproxima. Já, já as baixas temperaturas da serra voltam a esquentar a cidade com boa música, e o desfile dos casacos elegantes tirados do armário, botas de couro, indumentária do Sul, em pleno Nordeste, e, claro, muita comida típica, além de vinho, mesa posta e muitos amigos, porque, se o ano é de festa, festival não pode faltar.

Adriana Barreto Lossio de Souza

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB


Fonte: www.maispb.com.br | Publicado em 2026-07-09 08:15:00


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