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sábado 18 julho 2026

Alckmin: Corte dos EUA é positivo, mas distorções persistem

O anúncio dos Estados Unidos sobre a diminuição das taxas de importação de aproximadamente 200 produtos alimentícios foi considerada “positiva” e representa “um passo na direção correta”, conforme declarou neste sábado (15) o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Contudo, ele ressaltou que a manutenção da sobretaxa de 40%, aplicada exclusivamente ao Brasil, provoca desequilíbrios e segue sendo um entrave considerável para as exportações brasileiras.

“Há uma distorção que precisa ser corrigida. Todo mundo teve 10% [pontos percentuais] a menos. Só que, no caso do Brasil, que tinha 50%, ficou com 40%, que é muito alto. Você teve um setor muito atendido que foi o suco de laranja. Era 10% e zerou. Isso é US$ 1,2 bilhão [a mais nas exportações]. Então zerou, ficou sem nenhum imposto”, declarou Alckmin.

Alckmin também enfatizou que alguns produtos de países concorrentes, a exemplo do café do Vietnã, tiveram reduções mais significativas. “O café também reduziu 10% [pontos percentuais], mas tem concorrente que reduziu 20% [pontos percentuais]. Sendo assim, esse é o esforço que deve ser feito agora para aprimorar a competitividade”, complementou o vice-presidente.

A declaração, feita no Palácio do Planalto, ocorreu depois que o governo norte-americano divulgou, na noite da última sexta-feira (14), a suspensão da tarifa global, conhecida como “taxa de reciprocidade”, estabelecida em abril deste ano. Para as nações latino-americanas, essa tarifa correspondia a 10%. Entretanto, como a alíquota adicional de 40%, imposta em julho aos produtos brasileiros, permanece em vigor, as tarifas sobre itens como café, carne bovina, frutas e castanhas tiveram uma diminuição de 50% para 40%.

Avanços

De acordo com Alckmin, a medida traduz avanços diplomáticos recentes, incluindo as conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump, em outubro, e os encontros entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

“A última ordem executiva do presidente Trump foi positiva e na direção correta. Foi positiva. Vamos continuar trabalhando. A conversa do presidente Lula com Trump foi importante no sentido da negociação e, também, a conversa do chanceler Mauro Vieira com o secretário Marco Rubio”, comentou.

O vice-presidente também fez questão de frisar que os Estados Unidos mantêm um saldo positivo na balança comercial bilateral, exportando um volume maior do que o que importam do Brasil.

“O Brasil não é problema, é solução”, declarou.

Impacto nas exportações

Com a suspensão da tarifa global, informou Alckmin, o volume das exportações brasileiras para os Estados Unidos isentas de sobretaxas aumentou de 23% para 26%, o que equivale a aproximadamente US$ 10 bilhões.  Essa mudança acontece após os meses seguintes ao chamado “tarifaço”, período em que o déficit brasileiro na balança comercial com os EUA apresentou um crescimento de 341% entre agosto e outubro.

Os impactos se manifestam de maneira diferente em cada setor:

  • Suco de laranja: a tarifa de 10% foi zerada, o que beneficia um setor de US$ 1,2 bilhão.
  • Café: a alíquota apresentou uma redução de 50% para 40%. Em 2024, o Brasil exportou US$ 1,9 bilhão, mas as vendas tiveram um recuo de 54% em outubro na comparação anual.
  • Carne bovina e frutas: as tarifas foram reduzidas de 50% para 40%, um ganho considerado limitado devido à sobretaxa que permanece.

Posição dos Estados Unidos

O governo norte-americano justifica a diminuição tarifária como parte de um esforço para controlar a inflação dos alimentos e equilibrar a oferta interna. Em um pronunciamento, Trump declarou que o ajuste representou “um pequeno recuo” e que não considera necessárias novas reduções de tarifas em curto prazo. Ele também manifestou a expectativa de uma queda nos preços de produtos como o café.

Outros avanços

Alckmin também recordou progressos recentes nas negociações comerciais. O vice-presidente mencionou a suspensão da tarifa global de 10% e da sobretaxa de 40% sobre o ferro-níquel e a celulose, que ocorreu em setembro. Adicionalmente, destacou a redução de 50% para 40% em madeira macia e serrada e de 50% para 25% para armário, móveis e sofá, que foi definida no início de outubro.

No caso específico da madeira e dos móveis, os Estados Unidos tomaram a decisão de reduzir a alíquota com base na Seção 232 da Lei de Comércio local, sob a alegação de que pretendem proteger a segurança comercial do país. É importante ressaltar que, neste caso, as reduções abrangeram todas as nações, não impactando a competitividade entre os países.


Fonte: paraiba.com.br | Publicado em 2025-11-15 14:29:00


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