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sexta-feira 17 julho 2026

Parlamento em crise: discussões acaloradas revelam tensões ocultas

É com frequência preocupante que se observa, nos dias de hoje, um Parlamento ocupado por figuras que confundem o mandato com uma permissão para a desordem. Parlamentares despreparados, muitos deles oriundos de profissões onde a truculência se disfarça de virtude, adentram a política munidos da crença equivocada de que a autoridade se impõe pelo volume da voz e não pela força das ideias. Estabelecem-se em comissões estratégicas e lideranças partidárias sem conhecer, em profundidade, o funcionamento do Estado que passaram a gerir – e, assim, o improviso torna-se método, o grito, argumento, e a intimidação, estilo.

A questão central não reside na trajetória profissional de cada um, mas na inabilidade de reconhecer que o Parlamento não representa uma extensão de quartel, um balcão de delegacia ou um palanque para revanches pessoais. A democracia encontra seu espaço no território da palavra, e não da agressão física, sendo o ambiente onde ideias são confrontadas, e não pessoas; onde se triunfa em debates, e não sobre adversários. Quando este princípio fundamental se perde, o mandato deixa de ser um instrumento de representação e transforma-se numa arma de vaidade.

Não se pode esperar amadurecimento institucional de quem menospreza o saber. Comissões desprovidas de técnica, relatorias carentes de preparo e lideranças sem inclinação cívica resultam em leis inconsistentes, crises artificiais e um cenário político contaminado. O país arca com um alto preço pelas bravatas: instabilidade econômica, judicialização da política e o esvaziamento do debate sério são algumas das consequências. Conquista-se manchetes, mas perde-se o direcionamento.

Adiciona-se a isso a inclinação perigosa pela promessa de “rigidez” contra o Executivo e o Judiciário, como se a República fosse um ringue e não um sistema de equilíbrio. A fiscalização configura um dever constitucional, enquanto a intimidação representa um desvio de função. A crítica a políticas públicas mostra-se salutar, ao passo que deslegitimar instituições configura sabotagem disfarçada de patriotismo. A separação entre os Poderes não visa inflar egos, mas conter abusos – inclusive aqueles cometidos sob o manto da moralidade.

A democracia definha menos pela ausência de discurso e mais pelo excesso de ignorância travestida de convicção. O Brasil não necessita de xerifes no plenário, mas de legisladores com discernimento de limites, estudo e humildade republicana. Não carece de heróis de microfone, mas de servidores públicos conscientes de que o poder é um empréstimo, e não um patrimônio.

Enquanto a política seguir recompensando o destempero e penalizando a ponderação, continuaremos a produzir líderes de ocasião e a desperdiçar estadistas em potencial. O futuro não se edifica com bravatas nem com punhos cerrados, mas com regras respeitadas, instituições preservadas e indivíduos preparados. Fora desse contexto, o que se apresenta como “firmeza” nada mais é do que imprudência. E a imprudência, quando assume o poder, torna-se uma ameaça nacional.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB


Fonte: www.maispb.com.br | Publicado em 2025-11-28 10:10:00


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