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sexta-feira 17 julho 2026

STF forma maioria: Eduardo Bolsonaro réu por coação golpista

Julgamento da denúncia contra Eduardo Bolsonaro ocorre no plenário virtual (Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados)

Na última sexta-feira (14), a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) alcançou maioria de votos para transformar em réu o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), juntamente com o blogueiro Paulo Figueiredo, sob a acusação de coação durante o processo referente à trama golpista.

Os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin manifestaram voto favorável ao recebimento da denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

De acordo com a denúncia da PGR, a intenção de Eduardo era favorecer Jair Bolsonaro, buscando obstruir o julgamento do ex-presidente na ação penal relacionada à referida trama golpista.

A Procuradoria-Geral da República alega que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo agiram de maneira sistemática para influenciar o curso do processo, visando, primordialmente, evitar a condenação penal de Bolsonaro, a qualquer custo, mesmo que isso implicasse prejuízos ao país.

Voto de Moraes

Alexandre de Moraes, relator do processo e primeiro a votar, afirmou ser evidente a intenção do parlamentar em criar um “ambiente de intimidação” sobre as autoridades responsáveis por julgar seu pai.

Moraes enfatizou que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo atuaram de forma “livre, consciente e voluntária” na organização de ações que visavam intervir no processo penal que envolve o ex-presidente.

“As condutas criminosas se sucederam, estruturadas pela ameaça de obtenção de sanções estrangeiras tanto para os Ministros do Supremo Tribunal Federal como para o próprio país”, declarou Moraes.

Entre as ameaças mencionadas pelo ministro, destacam-se a possível aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros importados pelos EUA, a imposição dos efeitos da Lei Magnitsky a Moraes e a suspensão de vistos de diversas autoridades brasileiras.

Pressão internacional contra o STF

A denúncia da PGR aponta que, a partir de janeiro de 2025, Eduardo e Figueiredo iniciaram articulações com membros do alto escalão do governo americano para a adoção de medidas punitivas contra ministros do Supremo e contra o Brasil.

As ameaças englobavam sanções de caráter pessoal, como a suspensão de vistos de oito dos onze ministros da Corte, além da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes – medida comparada pelo próprio deputado a uma “pena de morte civil”.

Em julho, essas pressões surtiram efeito, resultando em sanções concretas: os Estados Unidos suspenderam os vistos dos ministros e anunciaram um aumento de 50% nas tarifas sobre as exportações brasileiras.

Eduardo Bolsonaro chegou a afirmar que “nossa liberdade vale mais que a economia” e denominou as sobretaxas de “Tarifa Moraes”, buscando atribuir ao STF a responsabilidade pelas referidas medidas.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, ressaltou que Eduardo e Figueiredo se apresentaram como os idealizadores das sanções e como os únicos capazes de revertê-las, gerando um clima de apreensão entre os ministros do Supremo.


Fonte: portalcorreio.com.br | Publicado em 2025-11-15 15:31:00


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