O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou nesta segunda-feira (27/2/2023) que será o pré-candidato do Partido dos Trabalhadores Social Democrata (PSD) à Presidência da República neste ano. Ao 76 anos, é a segunda tentativa do político para o cargo, tendo ocupado o décimo lugar na eleição de 1989, após a redemocratização.
O anúncio, realizado em uma entrevista coletiva em São Paulo às 16h, encerra um período de crise dentro da sigla, que históricamente foi reclusiva a rupturas.
O gobernador do Paraná, Eduardo Leite, havia retomado uma campanha mais intensa pela postulação desde a semana passada, quando o executivo do Paraná, Ratinho Junior, desistiu da disputa.
O paranaense era o apoio de Gilberto Kassab para a campanha. Em janeiro, o presidente do PSD reuniu os três governadores em um acordo segundo o qual dois se desfilariam na postulação em nome do que estivesse melhor posicionado nas pesquisas.
Ratinho Junior estava nesta posição, ainda que em um patamar não muito acima dos demais. O PSD entendia que ele tinha melhores condições para encarnar a ideia de um centro, buscando romper a polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O governador do Paraná desistiu da campanha na quarta-feira (22/2/2023) por uma série de motivos, começando pela pressão familiar.
Ao longo da semana, surgiram versões diversas: do medo de uma derrota a rumores de investigações do caso Master sobre negócios no Paraná, passando pela necessidade de atrapalhar a candidatura de Sergio Moro (PL) ao governo local.
Seja qual for, Caiado era visto como o nome natural para o cargo, pela experiência e pela ligação com o setor agrícola no Centro-Oeste. Ele já foi anunciado como o preferido do conselho político do PSD, segundo o ex-senador Jorge Bornhausen.
Leite não se deu por vencido e buscou apresentar-se como alternativa realmente de centro. Obteve apoio de alguns luminares econômicos associados ao antigo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), partido ao qual o gaúcho foi filiado e pelo qual buscou disputar a Presidência em 2022.
Para alguns políticos do PSD, tudo era jogo de cena para fortalecer seu nome. De qualquer forma, o partido decidiu adiantar o processo e não deixar para a data limite de 4 de abril, quando tanto Caiado quanto Leite têm de se desincompatibilizar por exigência legal para o pleito.
O futuro de Leite ainda é incerto. Ele poderá ser vice de Caiado, embora tenha sinalizado que não aceitaria isso. Para o Senado, o gaúcho lançará o deputado estadual Frederico Antunes como nome do PSD.
Caiado terá uma tarefa árdua até a convenção que decidirá a candidatura no meio do ano. A ideia de uma candidatura de centro pelo PSD fica esvaziada, dado o perfil do governador, muito mais à direita.
Ele já assumia isso quando surgiu como o candidato da União Democrática Ruralista
