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sábado 18 julho 2026

Vorcaro se diz ignorante sobre créditos do Master em depoimento à PF

O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, refutou à Polícia Federal a acusação de ter fraudado carteiras de crédito no montante de R$ 12,2 bilhões, destinadas ao BRB (Banco de Brasília), afirmando não ter conhecimento sobre a qualidade dos créditos envolvidos.

Essas carteiras foram adquiridas pelo Master junto à consultoria Tirreno e teriam sua origem em empréstimos consignados realizados por meio de associações de servidores públicos na Bahia.

As investigações conduzidas pelo Banco Central, pelo MPF (Ministério Público Federal) e pela PF revelaram indícios de que os créditos possam ter sido falsificados, sendo utilizados para inflar o balanço do banco de Vorcaro, que transferiu a carteira ao BRB em um momento de dificuldades financeiras.

De acordo com os investigadores, as carteiras de crédito envolveram CPFs de diversas regiões, e não foram identificadas movimentações financeiras que corroborassem as operações nas associações de servidores.

“Eu não sei quais créditos são bons ou ruins, se têm documentos ou não. Não tenho como afirmar que não foi o banco que originou. E o negócio não foi concretizado, afinal. Portanto, não houve qualquer ação criminosa da minha parte ou do banco”, declarou Vorcaro à PF.

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A declaração foi prestada em depoimento no dia 30 de dezembro, no STF (Supremo Tribunal Federal), e precedeu uma acareação entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A investigação está sob a responsabilidade do ministro Dias Toffoli.

O dirigente do Master informou que recebeu uma notificação do BC em março solicitando informações sobre a origem dos créditos e, em abril, o banco estava “cobrando e pressionando” o parceiro para que apresentasse a documentação necessária.

“Não havia uma determinação ou um entendimento de que existia um problema real com as carteiras. Existia uma cobrança da nossa parte para que tivéssemos toda a documentação em ordem”, ressaltou.

“No momento em que percebemos, acredito que foi em maio, que havia realmente documentos faltando e que não conseguíamos obter a documentação completa da Tirreno, foi quando assinamos um contrato para desfazer a operação, e a partir daí não houve mais nenhuma negociação com a Tirreno”, completou.

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Em outra parte do depoimento, Vorcaro afirmou que a documentação da Tirreno “chegou em partes ao longo do tempo”, mas alegou não dominar os detalhes da operação.

“Para ser sincero, quando realizamos o negócio, eu, pessoalmente, não tinha conhecimento sobre os detalhes da operação de crédito consignado. Só vieram a ser compreendidos após o surgimento do problema. Mas creio que agimos com muito cuidado.

Primeiramente, ao executarmos o contrato, não liberamos nenhum recurso e não classificamos como venda ou compra normal, até termos a convicção de que tínhamos 100% da documentação. Assim, nos precavemos documentalmente e financeiramente, pois não liberamos os recursos”, explicou.

Segundo o ex-banqueiro, o Master nunca chegou a efetuar o pagamento à Tirreno, uma vez que o valor que seria destinado à consultoria permaneceu em uma conta “escrow”, que é uma conta de garantia em que os recursos só são liberados quando ambas as partes cumprem o acordo.

Entretanto, quando questionado sobre a origem das carteiras vendidas ao BRB por R$ 12,2 bilhões, Vorcaro disse não ter essa informação, já que a transação não foi finalizada. Ele ainda discordou dos investigadores ao serem indagados se as carteiras eram artificiais.

“Não concordo. Reitero que não tenho conhecimento sobre essas operações. Não aprofundamos a análise das operações específicas, quantas eram viáveis e quantas estavam com documentação pendente. Não pudemos aprofundar, pois a transação final não ocorreu. Como mencionado anteriormente, foi realizada com outros ativos na transação com o BRB, não este. Portanto, não posso afirmar que a transação ou as carteiras eram falsas. O que posso afirmar é que a transação não existiu. Não houve nem pagamento para a Tirreno, nem venda para o BRB”, concluiu.

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A PF convocou para os dias 26 e 27 de junho outros oito investigados na Operação Compliance Zero. Toffoli declarou que os depoimentos são essenciais “para o sucesso das investigações” e “como uma medida de proteção ao sistema financeiro nacional”.

* IDIANA TOMAZELLI (FOLHAPRESS)


Fonte: paraibaonline.com.br
Data da publicação: 2026-01-25 09:46:00


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